nó em ponta de laço de cetim
como eu lido com isso?

Eu sou viciada. Eu tenho um vício. Por consequência, estou com um grande problema. Eu tenho amigos tão legais que conto os dias da semana para que sexta-feira chegue e eu fiquei com todos eles. Mas a minha adoração, de uns tempos para cá, se transformou em possessão. Não quero que ninguém novo entre, mas também não quero que nenhum deles vá embora. Eu estou me mordendo, nesse exato momento, porque uma amiga antiga minha resolveu dar as caras e começou um casinho com um dos meus amigos desse grupo. Eu estou tão irada com a situação que tento achar milhões de motivos para falar para esses meus amigos a odiarem. Verdade seja dita, acho que sou eu quem me odeio por pensar isso e sentir esse tipo de coisa por uma pessoa que está na minha vida há tanto tempo.

É o medo. É a insegurança. É a dependência. Eu sei o que precisa ser feito, mas me arrepio só em pensar em fazê-lo. Eu não consigo me afastar. Tenho medo, medo do esquecimento, medo da substituição. Antes desse problema, eu precisaria resolver minha carência, gritar meus medos para fora e sumir por um tempo, achar novas pessoas, querê-los bem de perto, mas de longe também.

Sexta-feira vai chegar e meus pés vão coçar para ir ao encontro deles, e eu tentarei me freiar mas eu sei que vou. Vou para ter aquele breve momento de felicidade, sentir por aquele momento que eu sou tão amada, especial e querida. Vou para curar, momentaneamente, minha carência monstruosa.

Vou para ver quem não deveria querer, vou pra imaginar uma linda cena em que conversamos e eu ponho tudo pra fora e ele me beija. Vou para me iludir, para usar da minha droga por 20 seg e sentir a brisa suave por toda a noite.

É mais forte que heroína, que cocaína, que todas elas juntas. É uma sensção sufocante, que queima e te deixa querendo se queimar cada vez mais. Como eu lido com isso?